Aproveitar a potência que temos aqui ao lado

Espanha é 9.ª maior economia do mundo, a 5.ª maior da União Europeia, o 2.º maior destino turístico, o 3.º maior fabricante de automóveis da Europa e o 4.º maior produtor agrícola da UE. Portugal, que é 3.º cliente da Espanha a seguir à França e à Alemanha, representa 7,5% das exportações espanholas.  Por isso, se Espanha não pode descartar o mercado português, Portugal tem uma verdadeira potência aqui ao lado que os empresários nacionais têm de saber aproveitar. Foi esta a principal conclusão retirada do primeiro painel de debate da Conferência Mercado Ibérico.

 

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Paulo Baldaia (à esq.), diretor da TSF, foi o moderador do primeiro debate da conferência, em que participaram Vital Morgado, da AICEP, Cláudia Delgado, da Parfois, e José Manuel Fernandes, da Frezite

Composto por responsáveis da Agência para a Inovação e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e da Parfois e Frezite, ambas empresas com forte presença no país vizinho, o debate, moderado pelo diretor da TSF, Paulo Baldaia, foi sobre tema “Relação Portugal-Espanha – Todos Ganham?”. E o que da discussão resultou é que efetivamente todos saem beneficiados com a concretização de um mercado ibérico mais integrado.

Cláudia Delgado, responsável pelas operações da Parfois em Espanha, deixou, no entanto, o alerta: o mercado espanhol é muito próximo, mas há distinções de relevo. “Quando entrámos no mercado espanhol mais a fundo, estivemos lá, percebemos as diferenças e isso é essencial para o sucesso do negócio”, contou. O resultado é que neste ano Espanha vai representar cerca de 32% da faturação global da Parfois, ou seja, é o principal mercado da empresa, revelou.

A necessidade de adaptar os modelos de negócio ao mercado onde se quer entrar é um imperativo, concorda a AICEP. Por isso, José Manuel Vital Morgado, administrador da AICEP e o homem que sumarizou os rankings de Espanha atrás citados, aconselha: antes de se avançar para a internacionalização é preciso “preparar a empresa, ponderar os riscos e falar com quem tem experiência desses mercados”.

Vital Morgado, da AICEP, e Cláudia Delgado, d Parfois, concordam: é preciso adaptar os modelos de negócio a cada mercado

Vital Morgado, da AICEP, e Cláudia Delgado, da Parfois, concordam: é preciso adaptar os modelos de negócio a cada mercado

Nove mil milhões para empresas

Além de tudo o mais, num processo de expansão empresarial para o mercado externo é sempre bom falar com a AICEP, defendeu Vital Morgado. “Temos gente com muitos anos de experiência nos vários mercados e  somos o organismo intermediário dos apoios comunitários, nomeadamente o Portugal 2020, que tem  nove mil milhões de euros disponíveis para as empresas nos próximos seis anos”, revelou.

Para Vital Morgado, há ainda outra receita para uma internacionalização bem-sucedida, que é seguir o lema “cooperar para competir”, adotado pela AICEP. Que o diga a Parfois, que, como salientou Cláudia Delgado, dos 53 países em que está presente apenas em seis instalou estruturas próprias. Em todos os outros entrou com parcerias, sobretudo recorrendo ao franchising.

Para José Manuel Fernandes, presidente da Frezite, uma empresa que fabrica ferramentas de corte de precisão, a aproximação entre empresas e países traz a mais-valia de abrir portas a mercados complementares, como os das ex-colónias. E cita o caso da facilidade com que a Frezite entrou no Magrebe depois de abrir a sua unidade de Valência.

A seguir, conhecimento e atualização são, para o empresário, as principais matérias-primas de uma empresa. Isso e criar relações de valor com os parceiros e clientes – em que estes dependem também da qualidade dos produtos ou serviços prestados – é o mais importante, disse.

 

Tem a palavra o painel de oradores:29759677

“O mais importante é que a principal matéria-prima das empresas é o conhecimento. O tempo de sermos repetidores, manufatureiros, já nem para a China é.”

José Manuel Fernandes, Presidente da Frezite

 

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“O mercado espanhol – e isso é uma grande vantagem para todos – é muito forte e competitivo na moda e traz-nos essa mais-valia, além de facilitar a captação de talentos.”

Cláudia Delgado, Responsável de Operações da Parfois em Espanha

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“Colaborar para competir é fundamental. Hoje ninguém consegue fazer nada sozinho. As empresas em conjunto conseguem fazer muito mais do que individualmente.”

José Manuel Vital Morgado, Presidente da AICEP

 

Texto: Adelaide Cabral
Foto: Pedro Granadeiro / Global Imagens